segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Constelação

Antes de mais nada, quero dizer que esse é meu poema mais recente. Comentem. Não importa se é para elogiar ou criticar. Só preciso da opinião de vocês.


Vi, no céu, à noite, uma constelação.

Nessa constelação, constavam estrelas.

O brilho delas, alvo, intenso, constante,

Iluminou-me o olhar no sereno,

Fez lembrar-me de ti num instante.


Estava eu à sombra da escuridão do firmamento.

Ao lembrar-me de ti, vi as estrelas formarem um desenho.

Que desenho é esse? – Perguntei a mim mesmo.

Não consegui identificar, mas senti, do coração, os batimentos

E um bom pressentimento.


A lua observava de sua morada a dança suave das estrelas.

A tramontana, minha guia, perdeu-se no baile celestial;

A lembrança de ti guiou-me o entendimento,

O desenho ficou claro no firmamento,

Quando a dança finalmente terminou, eu vi:

Foi teu nome que vi naquele momento.

Durante um temporal

Hoje, não vou colocar nada meu. Me lembrei do meu poema favorito, que tem quase 200 anos que foi escrito.


VAI FUNDA a tempestade no infinito,
Ruge o ciclone túmido e feroz...
Uiva a jaula dos tigres da procela
— Eu sonho tua voz —


Cruzam as nuvens refulgentes, negras,
Na mão do vento em desgrenhados elos...
Eu vejo sobre a seda do corpete
Teus lúbricos cabelos ...


Do relâmpago a luz rasga até o fundo
Os abismos intérminos do ar...
Eu sondo o firmamento de tua alma,
À luz de teu olhar ...


Sobre o peito das vagas arquejantes
Borrifa a espuma em ósculos o espaço...
Eu — penso ver arfando, alvinitentes,
As rendas no regaço.


A terra treme... As folhas descaídas
Rangem ao choque rijo do granizo
Como acalenta um coração aflito,
Como é bom teu sorriso,....


Que importa o vendaval, a noite, os euros,
Os trovões predizendo o cataclismo...
Se em ti pensando some-se o universo
E em ti somente eu cismo...


Tu és a minha vida ... o ar que aspiro ...
Não há tormentas quando estás em calma.
Para mim só há raios em teus olhos,
Procelas em tua alma!

Antônio Frederico de Castro Alves

sábado, 30 de outubro de 2010

Pessoas Especiais

    Ontem foi um dia especial para mim. Hoje também é. Ontem foi porque foi o aniversário de uma amiga muito querida minha chamada Juliana Lemos; hoje, porque é o aniversário de Dona Sandra, minha mãe.

    Sinto muitas saudades da minha amiga querida dos tempos de colégio. Ela é uma pessoa sem precedentes na humanidade. Sempre disposta a me ajudar e a ajudar a qualquer pessoa na face da Terra. Tem um jeito doce e um caráter ímpar, além de uma paciência de Jó (para me agüentar, só pode ter uma paciência dessas). Não sei por qual motivo eu amo tanto essa pessoa, nem por que eu sinto que ela vai estar presente em toda a minha vida. Ju, que todas as graças do mundo sejam derramadas em você.

    Minha mãe faz aniversário hoje. Ela me criou sozinha e passou por várias coisas por mim e minha irmã. Como estou mais liso do que pau de sebo, essa é a homenagem que estou podendo fazer a ela no dia em que ela completa 46 anos (mas parece ter 36). Que Deus sempre nos abençoe, mãe!

    Sem muito pra escrever, só queria deixar essa homenagem singela para essas duas pessoas especiais da minha vida. Mais tarde, talvez, eu coloque o texto que queria escrever hoje.

sábado, 23 de outubro de 2010

Serenidade

Hoje, eu estou aqui para mudar um pouco o estilo do blog. Não deixarei de postar poemas, mas, como está cada vez mais rara a possibilidade de escrevê-los, resolvi me aventurar na prosa. Esse é o primeiro texto de (espero) muitos. Espero que gostem.

Serenidade... é uma palavra difícil de conceituar, assim como também é difícil de sentir. Alguns dizem que é um estado de tranqüilidade, paz de espírito; outros acham que é a capacidade nossa de conviver bem com os problemas do dia-a-dia. Eu, porém, não tento conceituar isso. Não tenho vocação para filósofo.
A bem da verdade, acredito sinceramente que ser sereno é saber lidar com tranqüilidade com as coisas ruins que acontecem em nossas vidas. Capacidade de saber manter a calma em situações de tristeza extrema, ou de conformidade com certas situações desagradáveis. Uma pessoa serena por natureza pode sim ficar triste com algumas coisas que acontecem consigo, mas sabe lidar com isso. Infelizmente, para nós, não é sempre possível ser sereno. Há momentos na nossa vida em que nos irritamos com coisas tão bestas, mas que nos afetam tanto, como se o mundo fosse acabar neste instante ou como se a situação nunca fosse acabar. A minha experiência de vida, embora não seja tão extensa, mas seja intensa, me mostrou como tentar alcançar a verdadeira serenidade, a sempre relevar as coisas que fizeram contra mim, embora apenas culposas muitas delas, mas que afetaram a mim um dia. Aprendi, então, a manter a calma sempre.
A serenidade, como bem disse Epícuro de Semos, não deve ser apenas para nós mesmos, mas também para os outros que nos rodeiam. Uma pessoa serena passa confiança aos outros, é justa, equilibrada, temperada em seus atos, sensata, capaz de passar por cima de todos os sofrimentos e depois, mesmo após enfrentá-los, sorrir e olhar pra frente para ver o horizonte. Li uma vez que todo sofrimento recebido com serenidade tem um doce-amargo que, em vez de maltratar, nos faz bem. Talvez seja essa a essência de uma pessoa serena: a capacidade de enxergar o sofrimento como uma fase da aprendizagem e tomar todas as pedras no caminho para si e, depois de tudo, construir seu castelo. Com serenidade, se passa por tudo.
Às vezes, a nossa avidez pela vitória nos tira a serenidade. Quando, ao invés disso, é encontrada a derrota em sua frente, a avidez de outrora dá lugar a uma decepção que pode tirar o sono, a alegria, o tônus do coração. Uma pessoa serena também passa por decepções? Acredito que sim; afinal, todos nós queremos vencer um dia, todos nós temos sonhos, mas as pessoas que são serenas conseguem passar pelas mais duras decepções e derrotas da vida. Sofrem também, mas têm força para superar suas dores e seguir em frente sem olhar tanto para trás.
E de onde vem a serenidade? Qual a sua fonte? De onde vem essa capacidade de sentir calma quando ninguém mais sente? Acredito, eu, que tem várias fontes: alguns já nascem assim; outros, com o tempo e a vivência, a experiência de vida; outros, da misericórdia Divina. A verdadeira serenidade vem de dentro de nós, vem de nossas experiências e de Deus (para os que não acreditam Nele, sobram apenas as duas primeiras). Vem de dentro de nós porque uma pessoa serena tem força para agüentar suas dores, suas frustrações, e, ainda assim, ainda transparecer sua calma, mostrar a sua paciência e sua temperança. Vem de nossas experiências porque uma pessoa serena tem a capacidade de ver os erros seus e de outros e ser racional para aprender com eles. Como me disse uma vez meu grande ex-professor de xadrez, Ubiratan de Lemos: no xadrez, assim como na vida, há pessoas que aprendem com seus próprios erros; os bons, com os erros dos outros. Os sábios são, por natureza, serenos, e também aprendem com os erros dos outros. Vem de Deus porque a fé Nele, não importa a denominação religiosa que seja professada, nos faz agüentar o que passamos na vida. Pedimos a Ele em nossas orações que nos dê serenidade – ainda que não usemos essa palavra – para passar por todas as privações do mundo. Como disse Cristo, “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (João 16; 33)
Por fim, sabemos que nem sempre é possível manter a serenidade, É nesses momentos de fraqueza que vemos que temos de ser serenos, pacientes, temperados, dentre outros adjetivos que qualificam uma pessoa serena. Quando o sereno por excelência recupera sua serenidade, ele vê que tem força para enfrentar as tribulações da vida, e aprende a, quando passar por situação semelhante de novo, manter sua serenidade intacta. Sendo assim, o sereno é paciente, temperado, aprende com os erros passados, não só os seus, mas também os dos outros, tem fé e, acima de tudo, tem esperança de que tudo se resolva.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Valsemos

Vem, amor, dançar comigo,
Deixa-me sentir tuas mãos aveludadas juntas às minhas,
O teu corpo macio abraçado ao meu,
Minha boca a sussurrar palavras de amor no ouvido teu
E sentir teu coração batendo junto ao meu.

Amor meu, façamos desta noite a melhor de nossas vidas,
Deixemos as pessoas que nos olham de lado,
Pois a festa é nossa e só nós estamos aqui;
Para mim, não há outra; para ti, não há outro.
Valsemos, então, como nenhum casal jamais valsou.

Amor, és a vida em meu coração.
Realiza esta quimera de um homem inundado de paixão,
De amor, dos mais nobres sentimentos por ti.
Façamos desta noite uma noite eterna, épica,
Uma noite cuja magia não haverá igual em parte alguma do mundo.
Estar contigo é meu desejo mais profundo.

As estrelas no céu contarão à lua;
O Sol, radiante e belo, invejará a beleza de nossa dança;
Os astros celestes rememorarão este momento,
O momento em que comigo valsares,
Momento em que corresponderás ao meu sentimento.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Noite de solidão.

É noite
Está frio e escuro.
O céu reflete a cor do teu cabelo,
As estrelas desenham a tua face,
O vento soa na janela como o som da tua voz.

É noite
E a solidão toma conta do meu ser.
Queria eu a sua companhia ter
Para feliz viver.

É noite.
As estrelas que te desenham no céu estão no alcance dos meus olhos
E levanto as mãos em uma tentativa em vão de te tocar.
Posso ver-te, mas não posso te alcançar.

É noite
E nem todo o esplendor da lua cheia brilha como teus olhos,
Nem encanta como o teu sorriso.
Queria sentir os teus lábios nos meus,
Os meus braços a entrelaçar o corpo teu
Num sublime abraço e um doce beijo,
Satisfazendo assim a minha vontade,
Matando assim o meu desejo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Um campo primaveril

Um campo primaveril,
O sol a raiar e iluminar seu corpo,
Seus cabelos, negros como a noite, balançam formando ondas na brisa da manhã.
Correndo por entre as margaridas, vejo-a a sorrir um sorriso belo.
Marfim nos seus dentes a combinar-se com um riso maravilhoso.


Um campo primaveril.
Ela vem correndo e as margaridas se espalham à sua volta.
A sua pele morena faz um contraste perfeito com as flores.
Nos seus olhos, negros, da cor da hematita, vejo uma alegria constante
E a candura da mais bela imagem que já vi.


Um campo primaveril.
O seu corpo encurvado na cintura dentro de um vestido branco me tenta.
Ela vem em minha direção.
Olho para o chão e pego uma rosa vermelha, a única do campo.
Retiro-lhe os espinhos para que ela possa tocá-la.
Ofereço-lhe a rosa, me aproximo... Ela aceita com um sorriso encantador.
Então digo-lhe a mais bela frase do mundo em seus ouvidos: “Eu te amo.”
Meus braços entrelaçam o seu corpo e nossos rostos se aproximam...
Fechamos lentamente os olhos e beijamo-nos enfim.
Sinto o sabor da cereja em seus lábios.


Beijamo-nos como nunca dois amantes o fizeram.
Os rouxinóis cantaram em júbilo àquela cena.
Senti então o que era a verdadeira felicidade
E tudo de bom que havia de ser sentido...


Um amor correspondido.