terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A FLOR E EU

A FLOR E EU

Uma vez, ao passar por um parque,
Vi uma flor, uma Flor de Cerejeira,
A mais bela e delicada naquela formosa árvore.
Eu a observei e a admirei por horas e dias
Sem poder tocá-la. "Brutas e desastradas são as minhas mãos.
Não posso colher tão bela e delicada flor sem que lhe cause dor ou sofrimento."
Pensava eu ao visitar o parque diariamente.
Até que um dia a Flor não mais estava na árvore.
Um forasteiro, dono de hábeis e leves mãos, levava a Flor entre os seus dedos.
Havia sido colhida, enfim.
Não havia mais graça na cerejeira, e mortas eram as suas flores.
Já não podia mais admirar a Flor, pois tem dono.
Voltei para casa somente com as lágrimas e as dores.

Daniel Alcaniz
31/12/2019

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O ADEUS ÀS FLORES

O ADEUS ÀS FLORES

Dei adeus às flores.
Aquela flor de cerejeita que me encanta
Não desabrochará neste jardim.
Já não há mais sementes no meu bolso.
Findou-se, portanto, minha carreira, assim.

Eis-me aqui a olhar aquela flor,
A flor que não se abrirá.
Passam-se minutos, dias, horas,
Incontáveis auroras, e espero no meu canto,
Regando-a com o meu pranto,
Pelo dia que não virá.

Quem dera, ó quem dera,
Fosse eu o jardineiro que lhe trouxesse a primavera,
Mas é do salobra a água que a rega,
Vem do mar onde meu olhar navega.
Tal água não a pode nutrir.
Vê-la desabrochar jamais passou de uma quimera

Daniel Alcaniz
20/09/2019

domingo, 10 de fevereiro de 2019

FOI NUM SONHO

Tive um sonho esta noite. Foi estranho, e resolvi colocar em versos. Espero que gostem.

FOI NUM SONHO

Foi num campo,
Foi num campo,
Ceu azul e as árvores de testemunha.
Contigo, não via passar o tempo,
E a minha mão sobre a sua se dispunha.

Foi num campo,
Foi num campo,
Que, em felicidade, contigo andei.
Por aqueles campos verdejantes,
Onde te abracei e te beijei.

Ali mesmo, em meio às flores,
À sombra de uma cerejeira nos sentamos.
Deitou a sua cabeça em meu peito,abrigando-se em mim,
Sem saber que mutuamente nos abrigamos.

E, enquanto vestia a coroa de flores que a fiz,
Olhava ela para mim.
Sorria doce com um sorriso belo,
Corando-se, ruborizada, a sua alva tez.
Nossos olhos se encontraram, aproximaram-se.
Com nossos lábios, nos tocamos,
Em frenesi de enamorados.

Mas, subitamente, fui tomado dali.
E, contigo, não mais me vi.
Transtornado, envolto das brancas paredes da minha alcova me encontrei.
Foi tudo um sonho, foi tudo um sonho.
Acordei, acordei.

Daniel Alcaniz
nove de fevereiro de 2019

domingo, 31 de dezembro de 2017

NO TEU SORRISO

Este é o meu primeiro e último escrito de 2017. Espero que gostem :D

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NO TEU SORRISO

Olhei-te o rosto
Vi, nele, um sonho de amor.
Nos teus olhos, doçura sem medida;
No teu sorriso, plena alegria,
Como se fosse este vil mundo indolor.

Fartura de bondade há no teu sorriso.
Nele, há a mais pura amabilidade.
É lugar de alento, razão do meu estro.
Cura para, da minha alma, o esmorecimento.

Foi Deus quem desenhou o teu sorriso.
Com o divino lápis que usou, criou,
Em divina aquarela, no sorriso teu,
A constelação mais bela.

Quero poder ver diariamente o teu sorriso.
Ao acordar, quero que seja, dos dias meus, a visão primeira
Pois é na geografia do teu sorriso,
Teu cândido sorriso, onde acho a alegria Primeira.


DANIEL AUGUSTO DE ALCANIZ SANTOS

31/12/2017

domingo, 24 de janeiro de 2016

DOXOLOGIA À TRINDADE

Retornando às escritas de leve. Hoje, uma musiquinha de louvor a Deus que fiz dia 17/01/2016.

Ao Deus Pai, toda a Glória
E louvor pela Criação.
Louvado Seja, e bendito,
Pela Graça e a Salvação!

Jeová, Todo Poderoso,
Criador dos céus e da Terra,
Eternamente exaltado seja
O Teu nome entre as nações

Ao Deus Filho, todo o poder
E Glória pela Salvação.
Bendito seja o Cordeiro
Que se fez carne e viveu entre nós!

Jesus Cristo, Filho de Davi,
Que levou, sobre Si, nossos pecados,
Seja Teu nome engrandecido,
Santo, Santo, Grande Deus, Tu és.

Ao Divino Paracleto,
Graças pela vivificação.
Graças dou pela fé
Que deste ao meu pobre coração.

Senhor, Vivificador,
Procedente do Pai e do Filho,
Ó Real Consolador,
Peço a Ti um santo viver

Para a eternidade em Vós permanecer!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A solidão e tribulações afins: uma reflexão


Hoje é o dia de escrever de uma forma diferente. Faz tempo que eu não exercito isso aqui. Talvez seja a falta de vontade... sei lá.Com certeza é a falta de vontade, na verdade. Eu não tenho motivos para escrever mais. Eu escrevi coisas românticas no meu tempo, o que é bem bacana, desde que você tenha alguém para amar. Eu não tenho.
Faz alguns meses, na verdade, desde que eu senti alguma coisa. Acho que isso não faz mais parte da minha vida. Nem pensar nisso mais, eu penso. Sabe aquelas fantasias que tínhamos sobre a vida futura e como poderíamos ser eu e ela juntos com nossos filhos e coisas do tipo? Isso acabou.
O grande fato que explica essas coisas que eu tenho brevemente dito é um só: Deus não quer que eu me envolva com alguém. Pelo menos até hoje ele não quis. Não importa o que aconteça, eu sempre volto para o mesmo ponto 0,0: a solidão. Já me acostumei com isso. Solidão é uma forma de viver. Solidão é sina.
Não sei se será algo perene na minha vida. A realidade, infelizmente, tem apontado para concretude iminente desse futuro, mas o futuro, disse um homem sábio, no livro da humanidade (e das nossas vidas particulares), é composto de páginas em branco. Cabe a nós escrevê-lo.
Eu costumo fazer um adendo a essa frase: com a direção de Deus. Entreguei meus caminhos a Ele, e, até agora, a vida tem avançado através caminhos sólidos e para destinos de base sólida. É interessante como, em momentos nos quais eu tentei desviar-me dos caminhos do Senhor, Ele me colocou imediatamente de volta na estrada. Agradeço a Vós, Senhor Deus Trino, por isso. Lembro-me da passagem bíblica que nos ensina acerca da porta estreita e do caminho igualmente estreito que a sucede. Ele me amou primeiro, chamou-me para seguir Seus caminhos, e atendi ao chamado. O caminho não é só estreito. É espinhoso.
É interessante como, no meio dessas reflexões, eu sempre consiga achar conforto no Meu Senhor. Apesar de ser espinhoso, o caminho é pavimentado por Deus, de acordo com o plano que Ele tem para cada um dos seus filhos. Tenho uma tendência gigantesca a confiar no meu próprio entendimento. Esqueço-me - e isso vem do profundo da arrogância humana - de que, sendo criatura humana e, portanto, imperfeita, pecaminosa, não sou dotado de onisciência. Isso somente a Deus pertence. Nenhuma criatura, anjo ou humano, tem direito a usurpar esse mais que excelente atributo divino. O nosso caráter intimamente materialista, reflexo da nossa natureza pecaminosa, é manifestado principalmente nas ocasiões em que deixamos de confiar em Deus, ao passarmos a confiar sinceramente que, sozinhos, ainda que conscientes das limitações intrínsecas ao nosso ser humano, podemos tomar as rédeas da nossa vida e conduzi-la da melhor maneira possível. Isso é ilusório. É delírio de nossa mente.
Quisera eu que o que acabo de dizer fosse uma mera digressão. É, na verdade, uma conclusão a qual chego involuntariamente 100% das vezes em que me ponho a pensar sobre o que Deus quer para a minha vida. É inevitável. Assim como a Graça Divina é irresistível, é, também, irresistível para um dos filhos Seus reconhecer a soberania de Deus sobre os aspectos centrais da sua vida, desde a fé, até o ofício ou profissão a seguir. A grande verdade na qual chego todas as vezes em que me ponho a reclamar da solidão, assim como de outras dificuldades que surgem nessa nossa vida terrena, é a de que o próprio Deus, ao nos chamar para Si, para entrar na porta que, de tão estreita, poucos conseguem entrar, nos coloca no caminho que apenas esses poucos poderão aguentar. Porque poucos são os escolhidos.
É o melhor caminho, esse que Deus me colocou, ainda que aparente não ser. Afinal, “[...] nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. (Romanos 5:3-5). A experiência das tribulações é o que capacita um filho do Santo Deus para que aproveite o final desse caminho. Não é possível apreciar o que é bom e doce sem, antes, ter experimentado o que é mau, azedo e amargo. A solidão e outras coisas ruins são um passo para a plenitude das bênçãos do Senhor. Uma vez ultrapassadas - e eu sei que serão -, darão lugar ao regozijo perene. Louvado Seja Deus. Deus é bom.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EU, POETA

Então, pessoas... estou aqui de novo, o que é bastante incomum, pois raramente tenho escrito, mas meio que tive um golpe de inspiração nos últimos dias, o que é bom, já que eu pensava ter perdido completamente a vontade de escrever. Enfim... mais um, desta vez falando um pouco o que é escrever, sei lá... espero que gostem.

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EU, POETA

Dá-me a luz no entendimento
Para transcrever os sentimentos
De uma vida corrida.
Senhoras e senhores, cantar-vos-ei os amores,
E as perturbações desta lida.
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Na alcova, enclausurado,
Papel e tinta como companheiros,
A registrar coisas presentes,
Ou amores do passado..
-
Ó companheiros desta sina,
De nosso ente inseparável.
Poetizemos, agora, pois,
O que deu-nos, Deus, por fado!
-
Cantemos à moça bela,
Que desfila pela viela,
As trovas ao luar
Geradas por nossas rimas,
Redondilhas pequeninas,
Ou ao nosso livre-versar!
-
Traduzirei os sentimentos;
Da vida, os lamentos,
Ou, em Ode, as alegrias,
Do viver, que é tão singelo,
Com velha tinta e papel,
Os registros do que anelo!
-
Dá-me, portanto, a luz
Para escrever as coisas belas.
Em pranto ou alegria, vou vivendo o meu fado,
Ao viver, com a poesia, em harmonia.

DANIEL DE ALCANIZ

16 de dezembro de 2014

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

AO VER-TE DE LONGE

É, galerinha... fazia um tempo que eu não colocava nada aqui. Mas, agora, estou postando algo saindo quentinho do forno. Espero que gostem:

AO VER-TE DE LONGE

Vi-te ao fim duma rua.
Entre mim e ti, um vão de dúvidas:
Ando? Paro? Meia-volta, volver?
Sonho com o feliz desfecho das caminhadas,
E em alcançar o que ao fim da rua estou a ver.
-
Vejo ao fim da rua a beleza mais rara;
Pura, verdadeira, doce, cândida,
Cujo olhar traduz a calma e a serenidade que tive outrora,
Antes de vê-la ao longe, nesta rua.
Afinal, que faço eu, se sem ação estou
Diante dela, cujo olhar me encantou?
-
Ao fim da rua está ela, cuja tez é angelical.
Certamente foi Deus quem a conferiu sorriso tal,
De uma brancura e franqueza sem igual.
-
Ela, cuja derme exala caridade,
Separada apenas por esta viela da cidade
De mim. Eu, que anelo tanto
Levar-te, meu anjo, aos lugares mais divinos
Que Deus dignou-se a criar.
-
Quero tomar-te pela mão,
Navegar contigo pelo firmamento;
Conhecer as latinas vinhas,
As vielas alfacinhas, onde o destino é mais bem cantado,
A morada dos deuses helênicos,
E todo este mundo de Meu Deus.
-
Aproxima-te de mim, meu Anjo, e
Deixa que me aproxime de ti.
Deixa que te toque e sinta
Toda a Plena Alegria que em ti reside.
-
Encontremo-nos ao meio desta rua,
Removamos tudo o que nela há
E vivamos, eu e tu, abençoados por Deus,
Desfrutando toda a felicidade que Ele nos dá.

DANIEL DE ALCANIZ
11 de dezembro de 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

PERSEVERANÇA TOTAL

Finalmente, depois de tanto tempo, pude escrever algo, e, agora, com a realização de um sonho recente: escrever um hino para a Glória do Senhor. Ele não foi feito para ser cantado por grupo de louvor, mas sim por um coral. A melodia que utilizei como base era cantada pelo coral do Exército da antiga União Soviética, que era o seu Hino Nacional. Espero que gostem. Louvado Seja Deus.
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Sou feliz porque o Senhor me alcançou
E me mantém forte nas lutas sem fim!
Ainda que eu ande em campos hostis,
Posso confiar na sua Graça sem fim!
-
Ó Pai, confiando, eu vou
Na firmeza do Teu amor,
Que nos sustenta. De nós, não se apartou.
Quão grande é o Sangue Real
Que redimiu este mortal,
Que agora está certo da Salvação total.
-
Quão grande é a alegria: Jesus me salvou!
Tirou-me do pecado; morar com Ele, eu vou!
Lutarei com afinco até o Grande Dia
Em que Jesus voltar. Não mais verei agonia!
-
Ó Pai, confiando, eu vou
Na firmeza do Teu amor,
Que nos sustenta. De nós, não se apartou.
Ó Santo e Soberano Deus,
Justos são os desígnios Teus.
Fortificar-me-ei na Graça do Filho Teu
-
Estou já em Cristo. Nova criatura, sou.
Já não temo o mal, pois Teu Sangue me lavou!
Selado estou, e não temo Belial,
E hoje ergo, com orgulho, o Teu Pendão Real!
-
Ó Pai, confiando, eu vou
Na firmeza do Teu amor,
Que nos sustenta. De nós, não se apartou.
Combaterei o bom combate
Até encerrar a carreira,
E a fé manterei até a hora derradeira!

Daniel de Alcaniz

27 a 29 de agosto de 2014

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

LETÍCIA

Letícia é onde o poema tem mais significado,
É lugar no qual a doçura faz habitação.
Trovadores não sabem descrever a sua beleza,
Ínfimas são as tentativas de fazê-lo.

Com Letícia, tudo se faz perfeito, e
Infinitos suspiros saem do meu peito,
Aquela confusão que é gerada em mim.

Letícia não se descreve, não se tenta entender.
Ela é algo que se sente,
Amor que toma o coração das gentes.
É um anjo lindo e doce que alumia meus dias escuros,
Bálsamo para os ferimentos mais profundos.

Quero Letícia para sempre ao meu lado,
Na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença,
Ouvindo a sua voz tão Letícia,
A alegrar, para sempre, o meu dia.

Em 27/01/2014

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Manifesto de um natalense aos manifestantes conterrâneos

É movido pelo sentimento cristão que escrevo. Sentimento cristão e de patriotismo, pela vontade de ver o meu país mudado e ver o meu Estado renovado, de ver Natal em dias melhores, e de ver o meu povo vivendo em condições dignas de uma vida de paz.
Sei que o mundo não é perfeito, e que a utopia que todos temos nunca será realizada enquanto nós, homens, estivermos no poder. Esse dia somente chegará com a vinda de Cristo a Terra para levar os Seus e condenar os ímpios. Os ímpios estão no poder, e não se preocupem, meus compatriotas e contemporâneos: o que é deles está guardado.
Quero, porém, que eles sejam varridos das cadeiras Executivas, Legislativas e Judiciárias; quero, ainda, que nosso país se desenvolva sem corrupção, sem escândalos semanais nos noticiários nacionais, sem a roubalheira costumeira daqueles que dizem representar legitimamente o povo. Não tenho ódio por eles, mas pena. Não sabem que, um dia, serão julgados pelos seus atos, e será pelo julgamento perfeito, e não o falho.
Quero, também, dizer que a luta pelos nossos direitos é um dever para conosco mesmos. Deixar de lutar pelo direito é deixar o interesse público e individual de lado, e, com isso, todos os avanços que a conquista de direitos podem trazer para a vida coletiva. Não podemos jamais esquecer-nos de vigiar as autoridades para que elas continuem nos representando na forma para a qual foram eleitas. É nosso dever como cidadãos natalenses, potiguares e brasileiros.
Nunca é demais lembrar, ainda, que a força do voto trouxe o caos à nossa terra. A primeira vez, em 2008; a segunda, em 2010, e todos nós sabemos do resultado do descaso coletivo nas urnas. Isso não pode se repetir em 2014 nem em 2016. Estejam vigilantes quanto à escolha de candidato. Votar nulo não é forma de protesto. É apenas uma maneira de fugir da sua responsabilidade e dever de cidadão de escolher um candidato. Somos privilegiados pode termos o poder de escolha, e devemos exercê-lo. O fruto da luta de gerações não pode ser jogado fora assim. Votemos, e votemos bem, para que os motivos de nosso protesto não se repitam!
Amigos, amigas, irmãos, irmãs, compatriotas, conterrâneos e todos os outros: o tempo de mudança é esse! Quanta alegria tenho em ver-vos a lutar pelo que é seu! Quanto júbilo haverá em ver a luta se tornar em resultado! Estais a plantar a semente para um futuro melhor agora; os frutos virão mais tarde! As coisas que fazeis, talvez não saibam agora, mas sabereis depois! Os nossos filhos verão os frutos das nossas lutas, e regozijaremos em ver que valeu a pena! Não desistais, que a luta é dura, mas a vitória é certa!
Que Deus vos abençoe e abençoe Natal, o Rio Grande do Norte, e o Brasil!

Natal, Rio Grande do Norte, 20 de junho de 2013

Daniel Augusto de Alcaniz Santos: acadêmico de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

sexta-feira, 29 de março de 2013

POEMA DO GUERREIRO


Eu sou o que sou.
Eu vim de onde vim, vou para onde vou.
Tenho no coração a fúria dos heróis gregos,
Mas a ternura das rosas dos campos.
Fiz de mim um estandarte na luta contra a injustiça dos ímpios,
Tratei de lutar em lugares hostis,
Matei bestas viris, salvei princesas de torres de bruxas,
Trouxe, comigo, o coração dos dragões que matei,
E as bandeiras dos inimigos que derrotei.
Eu fui forjado no ferro, eu fui forjado no fogo!
Acostumei-me com a cor do sangue daqueles que se levantaram contra mim;
Tentaram me derrubar, mas a Providência tratou de me sustentar.
Quem são aqueles que ainda se põem de pé?
Quem são os que tentam pôr-me ao chão?
Não sabem que fiz de mim mesmo fortaleza de rocha sólida,
Pedra preta resistente às vossas medidas sórdidas.
Sou o guerreiro, sou o que derrotou os monstros pela frente,
E que vive em luta constante, buscando pela princesa amante,
Trovando e escrevendo esses versos alucinados,
Cavalgando, à noite, enluarado.

quinta-feira, 7 de março de 2013

DESABAFO



Hoje, eu tenho uma confissão a fazer. Tenho que desentalar tudo o que está aqui nessa garganta que entoou tantas canções pensando em ti. Tu, que te tornaste parte importante de minha vida, parece não querer entender o que se passa dentro desse coração surrado. Pareces não perceber que o tempo passa, que as folhas voam, e que as coisas mudam. Bem... nem todas as coisas mudam.
Todo esse tormento começou no exato mês de novembro do ano de 2009. Eu, que acabara de ter o coração dilacerado por outra pessoa que não soube entender o que eu sentira por ela, terminei me rendendo aos seus encantos, mas não o percebera até o mês de fevereiro seguinte, quando, após o longo período de quase três meses em que passamos distantes, eu já tinha percebido o quanto senti a sua falta, e terminei percebendo o que já tinha se tornado uma questão de mera lógica.
Não quero me fazer de vítima, muito menos de coitado, mas as tentativas que fiz de te dizer o que eu sentia naquela época nunca dariam certo, assim como qualquer investida no sentido de ter teu coração junto ao meu seria fadada ao fracasso. Reconheço que não tentei tanto quanto devia, e reconheço o quanto errei contigo todos esses anos.
Estamos ainda por completar quatro anos de convivência, e, desse tempo, gastei três anos e meio te amando. Intensamente, intransitivamente, te amando. Cada dia meu seria em vão se eu não te visse ou fizesse sorrir todos os dias. Terminei por voltar a escrever por sua causa (e agradeço por isso), até. Músicas, poemas, textos etc. Poucas coisas dessas, porém, eu pude te mostrar, mas de nenhuma delas pude revelar a real destinatária. Infelizmente, o medo de perder a sua amizade me acovardou de forma tal que meu ímpeto de realizar o maior dos meus desejos (o de estar contigo) simplesmente desapareceu.
Sonhei, minha amiga, durante todo esse tempo, com o dia em que estaríamos juntos final e definitivamente. Não imaginas quantas vezes sorri involuntariamente ao especular o dia em que dirias sim para mim e defronte ao juiz de paz, os momentos em que eu cuidaria de ti ou que cuidarias de mim. Infelizmente, esses sonhos desapareceram no tempo/espaço, e não (ou ainda) existem mais. Não imaginas o quanto eu quis te fazer feliz, não imaginas o quanto te amei. Amei, sim. Amei, mas sempre respeitei a tua decisão de nunca fazer de mim algo mais do que seu amigo. Porque amor, antes de tudo, é isso. É respeitar a pessoa amada.
Nunca te condenei por nada – exceto quando começaste a namorar o meu amigo, mas isso foi, talvez, uma loucura da minha cabeça –, e nem poderia. A escolha foi tua, e eu não posso fazer nada para mudar o que sentes por mim. Talvez haja uma forma, mas ainda não a descobri. Quem sabe, um dia, eu possa olhar para ti e não mais ver uma amiga, mas a minha companheira? Não sei. Só Deus sabe.
Hoje, no mês de março ano de 2013, olho para trás e me arrependo de tanta coisa que eu poderia ter feito para ficar contigo, mas não pude fazer. Algumas vezes, por falta de coragem; outras – a maioria, na verdade –, por não poder. Vejo-te feliz, e isso, de certa forma, me deixa feliz também, mas nada tira de mim o peso no coração de não poder estar contigo. Não sei se te esqueci; na verdade, nem me importo mais com isso. Os anos passam, mas esse encanto que exerces sobre mim parece não acabar. És, talvez, a figura mais maravilhosa que eu conheci neste ambiente acadêmico, e gostaria muito de ter-te na minha vida para sempre, de uma forma ou de outra.
Não posso me dizer, porém, uma pessoa triste. Ver teu sorriso ainda é a minha alegria, mas pela amizade que temos. Isso ainda é muito valioso para mim. Mesmo assim, já pensei inúmeras vezes em sair da sua vida, sair da vida daqueles que sempre estão conosco, para tirar-te, de uma vez por todas, da minha cabeça. Mas essa tua bondade ainda me atrai de tal forma que sou incapaz de fazer coisa assim. Não consigo pensar mal de ti, e acredito sinceramente que nunca conseguirei.
Somente o que quis de ti foi que retribuísses meus sentimentos, ainda que fosse por somente um instante. Infelizmente, nada disso foi possível. Talvez, por razões que eu ainda não entenda, o que todos os meus pares me dizem seja verdade: a pessoa certa ainda não apareceu na minha vida, mas, um dia, aparecerá. Quero poder me libertar dessas correntes que me prendem a ti, que me fazem tão insignificante perante meus sentimentos. Qual o mal que cometi para que o que está aqui dentro não pudesse ser gerado em ti por mim?
Um dia, quando soube do teu primeiro namoro, eu me maldisse severamente, taxei-me de incompetente, de imbecil, de ser inferior, por ter aquele rapaz conseguido, em menos de um mês, o que eu demorei mais de um ano, à época, para não conseguir. Senti-me, como outras vezes também me senti, amaldiçoado por ter que sofrer de novo por alguém que não me correspondeu os sentimentos, mas nunca guardei nenhum sentimento ruim por ti. Engoli a situação que estava configurara e senti o amargor do sofrimento por ti. Ver-te, naquela época, tinha se tornado algo torturante, desgastante; ouvir a sua voz, que um dia foi música para os meus ouvidos, tinha virado o grito de uma harpia para os meus ouvidos.
Aguentei, aguentei, e aguentei, mas sem esperar que um dia me amasses de volta. Aguentei porque o amor a tudo suporta, e suportou àquelas coisas, assim como suportou o que eu considerei, tempos depois, a traição de um amigo. Sim, eu tinha percebido que tu e ele estavam juntos enquanto ainda tentáveis esconder de todos – e, acredito eu, principalmente de mim – o que estava acontecendo, mas, apesar de apaixonado, como estava naqueles tempos, nunca fui besta. Julgaram-me um imbecil, eu presumi, mas eu nunca poderia esperar uma ação de má-fé vinda de ti. E, talvez, nem tenhas se importado comigo, mas a docemente covarde atitude que tivestes encheu-me de um rancor e uma amargura de uma forma que eu nunca tinha sentido antes.
Mas, hoje, não sinto outra coisa por ti que não seja amor. Amor de amigo ou de amante, eu não sei, mas amor. Eu te amo desde que nos aproximamos, te amei quando eu sofri tanto antes, e ainda te amo hoje, e vou te amar para sempre, ainda que estejamos distantes um dia. Queria poder dizer-te tudo isso cara a cara, olho no olho, mas o respeito por ti ainda me impede de fazer uma série de coisas que queria fazer contigo. Ainda há muito mais a ser dito e escrito, mas não hoje. Eu ainda te amo.

Natal, Rio Grande do Norte, sete de março de 2013

Daniel Augusto de Alcaniz Santos

segunda-feira, 4 de março de 2013

POEMA DA RECAÍDA



E, quando o Pai me permite te ver,
Sempre me pergunto: porquê?
Por que o meu coração ainda quer estar junto ao seu?
Por que meus lábios ainda querem beijar os seus?
Qual o motivo do meu amor ainda estar contigo,
Se, em verdade, não podemos ser mais que amigos?

Sei que os termos que emprego podem ser piegas,
Que as palavras não são as mais lindas deste meu ridículo repertório,
Mas, ao te ver, meu coração ainda salta para fora da glote,
E vejo que ainda não paguei a minha dívida com o passado;
No cérebro, o coração deu um calote.

O que é isso aqui dentro? Tantas quedas, tantas tentativas
De tirar-te de mim. Você, que me feriu como espinho de rosa,
E fincou-se neste coração servo do seu carinho e sua bondade.
Por favor, saia. Não posso mais te ter fixa em mim;
Por favor, saia. Não posso mais me sentir assim.

Daniel de Alcaniz